Franz Brentano

Biografia de Franz Brentano

O filósofo germano-austríaco Franz Brentano é conhecido por suas contribuições à psicologia filosófica. Tornou-se professor de filosofia na Universidade Católica de Würzburg, mas renunciou a sua cátedra e seu sacerdócio após a declaração de infalibilidade papal em 1871.

Ele aceitou uma cátedra de filosofia em Viena, mas renunciou em 1880, retornando mais tarde como instrutor. Seus últimos anos foram passados em Florença. Suas duas obras mais importantes são Psicologia do Ponto de Vista Empírico (publicada em 1874, segunda edição em 1911) e Origem do conhecimento moral (publicada em 1889), que influenciou os Principia Ethica de Moore. Seu trabalho publicado postumamente é considerável e valioso.

A psicologia de Brentano

Em sua Psicologia Brentano procura fornecer uma ‘psicognosia’, ou seja, uma geografia lógica dos conceitos mentais, que servirá de preliminar a uma psicologia empírica. Ele supõe que o mundo contém dois tipos de “fenômenos”, o físico e o “psíquico”, e procura tanto identificar as características distintivas dos “fenômenos psíquicos” quanto descobrir as “classes básicas” nas quais os fenômenos psíquicos se enquadram.

A intencionalidade

Brentano sustenta que as diferenças dos atos psíquicos são, primeiro, “intencionalidade”, ou direcionamento a objetos; e, segundo, acessibilidade direta e inerrante a uma “percepção interior” idêntica ao ato percebido.

Pelo termo ‘intencionalidade’ (derivado da escolástica esse intencionale) Brentano quer dizer o que é revelado pelo fato de a maioria dos verbos mentais estarem incompletos até serem completados com expressões-objeto apropriadas, indicando com o que a atividade mental expressa pelo verbo está preocupada.

Assim, se observo, minha observação deve ser de uma casa ou de uma árvore, por exemplo; se eu duvido, minha dúvida é sobre a igualdade de 2 + 2=4, por exemplo; se estou satisfeito, deve haver algo com o qual estou satisfeito etc. Em sua segunda edição, Brentano afirma que a intencionalidade não é uma relação entre a mente e um objeto: é meramente relacional ou semelhante a uma relação. Uma relação com um objeto normalmente implicaria que o objeto existia, ao passo que um direcionamento mental para um objeto geralmente não. O que distingue a posição de Brentano é que ele pensa que essa “semelhança de relação” é definitiva e não precisa de análise adicional.

A classificação de fenômenos mentais de Brentano admite apenas três classes básicas:

  • (a) apresentações (Vorstellungen), nas quais algum objeto está simplesmente presente à mente;
  • (b) julgamentos, em que algo é aceito como real ou factual, ou rejeitado como o inverso;
  • (c) fenômenos de amor e ódio, ou seja, casos de aceitação ou rejeição conativa afetiva.

No caso de (a) não há distinção entre correção e incorreção, mas no caso de (b) existe, sendo o critério uma autoevidência interior (Evidenz). Em relação a (c), Brentano sustenta que certos atos de gostar, não gostar ou preferir têm um caráter interiormente autojustificativo que medeia o conhecimento do que é absolutamente bom, melhor ou mau. O prazer, por exemplo, é absolutamente bom.

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