Heráclito de Éfeso: principais ideias

Impressionado com o fato de que tudo na natureza parecia estar em um estado constante de fluxo, ou mudança, Heráclito (540-480 a.C.) assumiu que o fogo era a physis (princípio de tudo) porque na presença do fogo tudo se transformava em outra coisa.

Para Heráclito, o fato predominante sobre o mundo era que nada jamais “existe estaticamente”; em vez disso, tudo está “se tornando”, ou melhor, tudo está em movimento. Nada é quente ou frio, mas está ficando mais quente ou mais frio; nada é rápido ou lento, mas está se tornando mais rápido ou mais lento.

A posição de Heráclito é resumida em sua famosa declaração: “É impossível mergulhar duas vezes no mesmo rio”. Heráclito quis dizer com isso que o rio se torna algo diferente do que era quando alguém entrou nele pela primeira vez.

Os contrários

Heráclito acreditava que todas as coisas existentes possuíam um contrário, por exemplo:

  • noite-dia;
  • vida-morte;
  • inverno-verão;
  • cima-baixo;
  • calor-frio;
  • sono-vigília;

Para ele, um contrário definia o outro, e os dois contrários eram indissociáveis. Somente através da injustiça pode a justiça ser conhecida, e somente através da saúde a doença pode ser conhecida.

Heráclito e o problema do conhecimento

Heráclito levantou uma questão epistemológica que persiste até hoje: como algo pode ser conhecido se está em constante mudança? Se uma coisa torna-se outra em diferentes momentos no tempo e, portanto, não é realmente o mesmo objeto, como pode ser conhecido com certeza? O conhecimento não requer permanência?

Foi nesse ponto da história que os sentidos se tornaram um meio questionável de adquirir conhecimento, pois eles podiam fornecer informações apenas sobre um mundo em constante mudança. Em resposta à pergunta: “o que pode ser conhecido com certeza?”, eventos empíricos não puderam ser incluídos porque estavam em um estado de fluxo constante.

Aqueles que buscavam algo imutável e, portanto, cognoscível, tinham duas escolhas. Eles podiam escolher algo que era real, mas não perceptível pelos sentidos, como fizeram os atomistas e os matemáticos pitagóricos, ou podiam escolher algo mental (ideias ou a alma), como fizeram os platônicos e os cristãos.

Ambos os grupos acreditavam que qualquer coisa experimentada pelos sentidos era muito duvidosa para ser conhecida. Ainda hoje, o objetivo da ciência é descobrir leis gerais que são abstrações derivadas da experiência sensorial. As leis científicas como abstrações são consideradas perfeitas; quando se manifestam no mundo empírico, entretanto, são apenas probabilísticas.

Entre racionalistas e empiristas

A filosofia de Heráclito descreveu perfeitamente o principal problema inerente aos vários tipos de empirismo. Ou seja, o mundo físico está em um estado de fluxo constante e, mesmo que nossos receptores sensoriais pudessem detectar com precisão objetos e eventos físicos, estaríamos cientes apenas de objetos e eventos que mudam de momento a momento.

É por essa razão que se diz que os empiristas estão preocupados com o processo de vir a ser, e não com o ser. Ser implica permanência e, portanto, pelo menos a possibilidade de certo conhecimento, ao passo que um conhecimento de eventos empíricos (porque eles estão se tornando) pode ser apenas probabilístico, na melhor das hipóteses.

Ao longo da história da psicologia, aqueles que afirmam que existem certas coisas permanentes e, portanto, cognoscíveis sobre o universo ou sobre os humanos tendem a ser racionalistas. Aqueles que dizem que tudo no universo, incluindo os humanos, está em constante mudança e, portanto, incapaz de ser conhecido com certeza, tendem a ser empiristas.

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