Os Pitagóricos: quem eram?

Pitágoras de Samos: o fundador da Escola Pitagórica

Pitágoras (580–500 a.C.) teve uma influência significativa no pensamento ocidental. Diz-se que ele foi o primeiro a empregar o termo filosofia e a referir-se a si mesmo como um filósofo.

Pitágoras defendia que a explicação básica para tudo no universo podia ser encontrada nos números e em relações numéricas. Ele observou que o quadrado da hipotenusa de um triângulo retângulo é exatamente igual à soma dos quadrados de seus outros dois lados. Embora isso tenha passado a ser chamado de teorema de Pitágoras, provavelmente já era algo conhecido dos babilônios.

A harmonia matemática

Os pitagóricos acreditavam que o universo era constituído por uma harmonia matemática e que tudo na natureza estava inter-relacionado. A partir desse ponto de vista, eles encorajaram as mulheres a se juntarem à sua organização (era muito incomum para os gregos considerar as mulheres como iguais aos homens em qualquer área), defenderam o tratamento humano dos escravos e, como mencionado, desenvolveram práticas médicas baseadas no suposição de que a saúde resultava do funcionamento harmonioso do corpo e a doença resultava de algum tipo de desequilíbrio ou discórdia.

Pitágoras também observou que uma combinação harmoniosa de tons resulta quando uma corda de uma lira tem exatamente o dobro do comprimento de outra. Esta observação de que as cordas de uma lira devem manter certas relações umas com as outras para produzir sons agradáveis e harmoniosos foi, talvez, a primeira lei psicofísica da psicologia.

De fato, eventos físicos (relações entre cordas em instrumentos musicais) demonstraram estar sistematicamente relacionados a eventos psicológicos (agradabilidade gerada pelos sons). Os pitagóricos expressaram essa relação psicofísica em termos matemáticos.

Assim como a música agradável resulta da combinação harmoniosa de certos tons, também a saúde depende da combinação harmoniosa de elementos corporais. Os pitagóricos pensavam que a doença resultava de uma perturbação do equilíbrio do corpo, e o tratamento médico consistia em tentativas de restaurar esse equilíbrio.

Pitágoras a partir desta e de várias outras observações criou uma escola de pensamento que exaltava a matemática. Ele e seus seguidores, os pitagóricos, aplicaram princípios matemáticos a quase todos os aspectos da existência humana, criando uma grande síntese entre misticismo religioso, música, matemática, medicina e cosmologia”.

Os números e o mundo empírico

Segundo os pitagóricos, os números e as relações numéricas, embora abstratas, eram reais e influenciavam o mundo empírico. O mundo dos números existia independentemente do mundo empírico e só poderia ser conhecido em sua forma pura por meio da razão.

Quando conceituado, o teorema de Pitágoras é exatamente correto e se aplica a todos os triângulos retangulares que já existiram ou que existirão. Desde que o teorema seja aplicado racionalmente a triângulos imaginários, ele é perfeito; quando aplicado a triângulos reais, entretanto, os resultados não são absolutamente corretos porque não existem triângulos perfeitos no mundo empírico.

Na verdade, segundo os pitagóricos, nada é perfeito no mundo empírico. A perfeição é encontrada apenas no mundo matemático abstrato que está além dos sentidos e, portanto, pode ser abraçado apenas pela razão.

O dualismo pitagórico

Os pitagóricos defendiam um dualismo cósmico: uma parte abstrata, permanente e intelectualmente cognoscível (como Parmênides havia defendido) e a outra empírica, mutável e conhecida pelos sentidos (como aquela proposta por Heráclito).

A experiência sensorial, então, não pode fornecer conhecimento. Na verdade, tal experiência interfere na obtenção de conhecimentos e deve ser evitada. Esse ponto de vista cresceu em total desprezo pelas experiências sensoriais e pelos prazeres corporais, e os pitagóricos lançaram uma cruzada contra o vício, a ilegalidade e os excessos corporais de qualquer tipo.

Pitágoras postulou dois mundos, um físico e outro abstrato, os dois interagindo um com o outro. Dos dois, o abstrato foi considerado o melhor. Pitágoras também postulou um dualismo antropológico, afirmando que, além da carne do corpo, temos poderes intelectuais que nos permitem alcançar uma compreensão do mundo abstrato. Além disso, o raciocínio é uma função da alma, que os pitagóricos acreditavam ser imortal.

A filosofia de Pitágoras fornece um dos primeiros dualismos mente-corpo bem definidos na história do pensamento ocidental.

O ascetismo órfico-pitagórico

Os membros da Escola Pitagórica impuseram a si próprios longos períodos de silêncio para aperfeiçoar o pensamento claro e racional. Além disso, eles tentaram limpar suas mentes impondo certos tabus e por meio de exercícios físicos e mentais intensos. Os tabus incluíam comer carne e feijão. Entre outras coisas, o feijão causa flatulência excessiva, condição contrária à tranquilidade mental necessária para buscar a verdade. Em certo sentido, os pitagóricos introduziram uma versão inicial da crença “você é o que você come”; eles acreditavam que “cada tipo de alimento que é introduzido no corpo humano torna-se a causa de uma certa disposição peculiar”.

A crença de que as experiências da carne são inferiores às da mente – uma crença que desempenha um papel tão importante na teoria de Platão e é ainda mais importante na teologia cristã primitiva – pode ser atribuída diretamente aos pitagóricos. Eventualmente, Platão tornou-se membro de sua organização. Ele baseou sua Academia em conceitos pitagóricos, e uma placa acima da entrada alertava: “que ninguém sem um conhecimento de matemática entre aqui”.

O orfismo e o pitagorismo

Vemos muitos elementos em comum entre a religião órfica-dionisíaca e a filosofia pitagórica.

Ambos viam o corpo como uma prisão da qual a alma deveria escapar, ou, pelo menos, a alma deve minimizar as luxúrias do corpo vil que a abriga, focando-se na contemplação racional de verdades imutáveis.

A transmigração da alma

Ambos aceitaram a noção da transmigração de almas, e ambos acreditavam que apenas a purificação poderia parar o “círculo de nascimentos”. A noção de transmigração fomentou nos pitagóricos um espírito de parentesco com todas as coisas vivas.

É por essa razão que eles aceitavam as mulheres em suas organizações, defendiam o tratamento humano dos escravos e se opunham aos maus-tratos aos animais. Diz-se de Pitágoras que “quando ele passou por um cachorro que estava sendo chicoteado, ele teve pena dele e fez o seguinte comentário: “Pare, não bata nele; pois é a alma de um querido amigo”. Era pela mesma razão que os pitagóricos eram vegetarianos.

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