Tales de Mileto: principais ideias [resumo]

Quem foi Tales de Mileto?

Tales de Mileto (625–547 a.C.), frequentemente referido como o primeiro filósofo da história, tinha uma rica herança intelectual.

Ele viajou para o Egito e a Babilônia, os quais desfrutaram de civilizações avançadas que sem dúvida o influenciaram. Por exemplo, os egípcios possuíam durante séculos o conhecimento da geometria demonstrado por Tales. No Egito e na Babilônia, no entanto, o conhecimento era prático (a geometria era usada para definir os campos para a agricultura) ou usado principalmente em um contexto religioso (a anatomia e a fisiologia eram usadas para preparar os mortos para sua jornada ao outro mundo).

Tales foi um pensador importante porque enfatizava as explicações naturais e minimizava as sobrenaturais. Ou seja, em sua cosmologia, Tales defendia que as coisas no universo consistem em substâncias naturais e são governadas por princípios naturais; elas não refletem os caprichos dos deuses. O universo é, portanto, cognoscível dentro dos limites humanos.

Segundo testemunhos antigos, Tales previu eclipses, desenvolveu métodos de navegação baseados em estrelas e planetas e aplicou princípios geométricos à medição de coisas como a altura de monumentos. Diz-se mesmo que ele monopolizou o mercado de azeite de oliva ao prever os padrões do clima.

A origem do pensamento filosófico e científico

Essas realizações práticas trouxeram grande fama para Tales e respeitabilidade para a filosofia. Ele mostrou que um conhecimento da natureza, que minimizasse o sobrenatural, poderia fornecer poder sobre o meio ambiente, algo que os humanos buscavam desde o início da história.

Talvez o mais importante a respeito de Tales, entretanto, seja o fato de ele oferecer suas ideias como hipóteses e não como dogmas com base religiosa ou mítica. Com seu convite para que outros critiquem e aprimorem seus ensinamentos, ele deu início à tradição crítica que caracterizaria a filosofia grega primitiva e o pensamento científico.

Outros teóricos jônicos sentiram-se livres para rejeitar suas especulações e oferecer as suas próprias na competição crítica.

Karl Popper disse:

“Gosto de pensar que Tales foi o primeiro professor que disse a seus alunos: ‘É assim que vejo as coisas – como eu acredito que as coisas são. Tente melhorar meu ensino”.

A água e a arché

Tales procurou a substância ou elemento do qual todas as coisas são derivadas. Os gregos chamavam esse elemento ou substância primária de physis/arché, e aqueles que a procuravam foram chamados de “físicos”.

Os físicos até hoje procuram a “matéria” da qual tudo é feito. Tales concluiu que a physis era água porque muitas coisas parecem ser constituídas de água.

A vida, por exemplo, depende fundamentalmente da água; a água existe em muitas formas, como gelo, vapor, granizo, neve, nuvens, névoa e orvalho; um pouco de água é encontrada em tudo. Essa conclusão de que a água é a substância primária teve mérito considerável.

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