Vontade de poder para Nietzsche

De acordo com Nietzsche, a resposta para nossa situação só pode ser encontrada dentro de nós mesmos. Os seres humanos precisam adquirir conhecimento de si mesmos e então agir de acordo com esse conhecimento.

Sentido e moralidade não podem (ou não devem) ser impostos de fora; deve ser descoberto por dentro. Esta descoberta interior revela que a motivação humana mais básica é a vontade de poder.

Nietzsche e Schopenhauer

Como Schopenhauer, Nietzsche acreditava que os humanos são basicamente irracionais.

Ao contrário de Schopenhauer, no entanto, Nietzsche pensava que os instintos não deveriam ser reprimidos ou sublimados, mas deveriam ser expressos. Até mesmo tendências agressivas não devem ser totalmente inibidas.

A vontade de poder só pode ser plenamente satisfeita se uma pessoa agir como se sente, isto é, agir de modo a satisfazer todos os instintos:

“A vontade de poder é a força motriz primitiva da qual todos os outros motivos foram derivados” (Sahakian, 1981, p. 80).

Mesmo a felicidade, que os utilitaristas e outros afirmavam ser tão importante como motivo, é o resultado do aumento de vontade de poder de alguém:

“A única realidade é esta: a vontade de poder se tornar mais forte – não se trata de autopreservação, mas o desejo de se apropriar, de se tornar mestre, de se tornar mais, de se tornar mais forte”” (Sahakian, 1981, p. 80).

E em A Gaia Ciência, Nietzsche disse: “A grande e a pequena luta sempre gira em torno da superioridade, do crescimento e da expansão, do poder – de acordo com a vontade de poder que é a vontade de vida”.

Para Nietzsche, então, todas as concepções de bem, mal e felicidade estão relacionadas à vontade de poder:

O que é bom? Tudo aquilo que eleva o sentimento de poder no homem, a vontade de poder, o próprio poder. O que é ruim? Tudo o que nasce da fraqueza. O que é felicidade? A sensação de que o poder está crescendo, que a resistência é superada. (Kaufmann, 1982, p. 570).

Assim, Nietzsche discordava de qualquer um que afirmasse que o principal motivo humano era a autopreservação (como Spinoza e Schopenhauer). Os humanos não tentam se preservar; em vez disso, eles tentam se tornar mais do que eram, ou pelo menos, de acordo com Nietzsche, é isso que eles deveriam tentar.

Referências

Kaufmann, W. The portable Nietzsche. New York: Viking Press/Penguin Books, 1982.

Sahakian, W. S. History of psychology: A source book in systematic psychology. Itasca, IL: Peacock, 1981.

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